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Álbum Completo: Sonny Rollins - Saxophone Colossus (1956)

22 de junho de 2012


Por Emerson Marques Lopes
Editor do seu Guia de Jazz na Internet

O sax tenor de Sonny Rollins faz história há mais de 40 anos. Este nova-iorquino completará 73 anos e continua na ativa. Mas, ainda hoje, o disco Saxophone Colossus, lançado em 56, é seu trabalho mais lembrado. Quando Rollins fez este disco, ele já tinha trabalhado com feras como Bud Powell, Miles Davis, Thelonious Monk e Clifford Brown. A gravadora BMG Brasil lançou o disco este ano no País.

O saxofonista recrutou um time de primeira para acompanha-lo. O pianista Tommy Flanagam, o baixista Doug Watkins e o baterista Max Roach, com quem Rollins trabalhou nos anos 60. O disco abre com ST. Thomas, onde o sax de Rollins preenche todos os espaços. Nas baladas You Don’t Know What Love Is e Moritat, mais conhecida como Mack The Knife, o piano de Flanagam e as notas de Rollins não poderiam estar em mais sintonia.

Mas são nas faixas “Blue 7” e “Strode Rode” que o veterano saxofonista mostra toda a sua técnica e criatividade. Rollins está livre e suingando um hard bop de primeira. Destaque para o ritmo e o talento de Roach, considerado até hoje um dos maiores bateristas de jazz. Em 1999, para comemorar 50 anos da gravadora Prestige, o disco foi relançado com a tecnologia 20-bit, que melhora, e muito, a qualidade do som, deixando assim toda a genialidade de Sonny Rollins ainda mais surpreendente.




Jazz for Lovers


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Álbum Completo: Mary Halvorson Quintet - 'Saturn Sings' (2010)

18 de junho de 2012

A proeminente guitarra de Mary Halvorson: um toque feminino no "modern creative". Por Vagner Pitta                                                                                                                         

Mary Halvorson
Caros diletantes da música improvisada, atentai-vos para este nome: Mary Halvorson. Não, essa moça não é apenas mais um toque de beleza feminina em meio a um cenário de marmanjos desembestados movidos ao vício da abstração: trata-se de uma artista que ja começa a conquistar o seu espaço e que faz jus a essa façanha ao imprimir um jeito todo seu, uma sonoridade toda sua e, o que é raro, uma determinada coerência no casamento equilibrado entre os elementos do noise, livre improvisação e composição escrita -- tudo isso permeando os entornos do jazz contemporâneo e do post-rock. Acabou-se, enfim, o conceito de que a liberdade musical consistia em tocar uma sequência barulhenta de notas sem considerar um mínimo de senso de coerência e elaboração, sem imprimir um conteúdo técnico ou exigindo que o ouvinte tivesse de adquirir uma bula conceitual para compreender o alto nível de abstração que abolia a melodia, o rítmo e a harmonia -- há, logicamente, músicos talentosos que imprimem estilos peculiares usando o free jazz e a livre improvisação comos veículo para a expressão de uma determinada liberdade e espontaneidade, mas também há o caso de músicos que abusaram da liberdade de abstração para esconder uma total falta de domínio técnico quanto ao seu instrumento e aos saberes básicos da música, sem contar que o conceito de liberdade imposto pelo free jazz já é algo tão ultrapassado, em termos de evolução, quanto o bebop, transformando-se em apenas mais uma das inúmeras ferramentas das quais os músicos fazem uso em suas colagens e misturas. A nova liberdade, portanto, exige muito mais conhecimento do artista, pois ela proporciona que ele trabalhe com quaisquer elementos de quaisquer gêneros musicais que queira inserir dentro da construção da sua obra e do seu estilo de expressão: todas as variabilidades em torno do jazz, rock, noise, black music, música improvisada, música serial erudita, eletroacústica...o século 20, enfim, parece ter esgotado todas as possibilidades de descobertas, de modo que agora os novos músicos se vêem no papel de revisitá-las, misturá-las e, a partir daí, buscar novas formas de expressão e obter novas descobertas através de novas experimentações. A guitarrista Mary Halvorson pertence à esse novo paradigma do jazz contemporâneo: o chamado "modern creative".


O currículo de Mary conta com uma estadia que ela teve com ninguém menos que o saxofonista e compositor concentualista Anthony Braxton na Wesleyan University, além de várias colaborações com novos e veteranos improvisadores como Taylor Ho Bynum, Tim Berne, Trevor Dunn, Assif Tsahar, Matana Roberts, Ted Reichman, Stephen Haynes, Curtis Hasselbring, Tomas Fujiwara, Jason Moran, Tony Malaby, Nicole Mitchell, Elliott Sharp e John Tchicai. Quanto à sua carreira solo, Mary tem conseguido obter espaço na mídia especializada através de vários projetos: além de liderar seus próprios conjuntos, ela co-lidera um duo camerístico com a violinista Jessica Pavone, conforme documentado no álbum On & Off (Skirl, 2007) e é membro do People, banda de rock progressivo que forma com o baterista Kevin Shea. Ela também lecionou na New School e realizou workshops na School for Improvised Music. Suas gravações incluem, ainda, "Opulence" (UgExplode, 2008), em dueto com o baterista Weasel Walter, "Calling All Portraits" (Skycap, 2008), "Thin Air" (Thirsty Ear, 2009) e o "Dragon's Head" (Firehouse 12, 2009), album aclamado pela crítica  e que teve a colaboração do baixista John Hebert e do baterista Ches Smith, seu trio.

Um dos lançamentos mais festejados de Mary Halvorson é o "Saturn Sings" (Firehouse 12, 2010), responsável por colocá-la na mira dos holofotes como uma das principais revelações do jazz contemporâneo. O álbum, elaborado em torno da mística de Saturno e seus anéis, traz Halvorson na guitarra semi-acústica e como compositora única de todas as faixas, tendo a contribuição dos dois músicos que compõe seu trio, o contrabaixista John Hebert e o baterista Ches Smith, mais o acréscimo do trompetista Jonathan Finlayson e do saxofonista "rising star" Jon Irabagon, constituindo, então, um quinteto. Segundo o que diz a guitarrista, suas melodias, improvisos e harmonias trazem inspirações de vários compositores da música em geral: Clifford Brown, Thelonious Monk, Robert Wyatt, Dmitri Shostakovich, Archie Shepp, Sam Cooke e Marvin Gaye. A NPR tomou nota da seguinte forma: "The harmonies were inspired by a diverse group of composers (Clifford Brown, Thelonious Monk, Robert Wyatt, Dmitri Shostakovich, Archie Shepp), but the new horn section provides the guts behind the songs, taking the spirit of Sam Cooke and Marvin Gaye. It also doesn't hurt that Hebert, the drummer, knows his way around a funky bass line that tugs at the legs to move — or at least shuffle spasmodically". O que é entusiasmante, contudo, é que a guitarrista imprime seu próprio estilo de se elaborar entre as linhas do jazz, o noise e a improvisação livre: seus improvisos e distorções por vezes lembra as estripulias atonais do guitarrista de free jazz Sonny Sharrock, mas sua personalidade própria e sua versatilidade ficam bem patentes. Desejamos muito sucesso a Mary Halvorson e que muitos outros projetos dessa estirpe surjam.

Ouça abaixo o cd Saturn Sings:





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Álbum Completo: Thelonious Monk Quartet with John Coltrane at Carnegie Hall

16 de junho de 2012

Every year sees a crop of newly found jazz gems, but rarely are listeners treated to anything as special as this 1957 concert recording of Thelonious Monk and John Coltrane, which was accidentally discovered in an unmarked box by a Library of Congress engineer early in 2005. Until now, fans could only dream of hearing these two immortals play together beyond the three studio tracks they left behind. But here they are, hitting their stride at an all-star benefit concert, basking in the chemistry they had developed in Monk's quartet during the preceding weeks at New York's Five Spot. Coltrane's playing is a revelation. He's both an inspired accompanist and a galvanizing soloist, taking the music to new heights with his bold, brilliantly challenging, and sometimes jaw-dropping phrases, note clusters, and blasts of power. Sharing with Coltrane a newfound sense of freedom following the personal and professional troubles that had plagued them both, Monk is clearly tickled to be in the tenorist's presence, injecting humorous commentaries and otherwise asserting his eccentric genius as a pianist. The material, which was very well recorded by the Voice of America, includes Monk classics like "Epistrophy," "Monk's Moods," and "Evidence," as well as a striking rendition of the standard "Sweet and Lovely." This is music that not only bears repeated listenings, but also demands them--the ultimate definition of a classic. --Lloyd Sachs





Track listing:

"Monk's Mood"
"Evidence"
"Crepuscule With Nellie"
"Nutty"
"Epistrophy"
"Bye-Ya"
"Sweet & Lovely"
"Blue Monk"
"Epistrophy" (incomplete)

Personnel:

Thelonious Monk -- piano
John Coltrane -- tenor saxophone
Ahmed Abdul-Malik -- bass
Shadow Wilson -- drums

Released September 27, 2005
Recorded November 29, 1957


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Álbum Completo: Dom Salvador E Abolição - 'Som, Sangue E Raça' (1971) - c/ documentário

30 de maio de 2012



Por Tárik de Souza

"Este não é apenas um disco seminal, recuperado pelo trabalho meticuloso do titã pesquisador Charles Gavin. É um estuário. Todos os rios negros que formaram o funk/hip hop nativo confluem para ele. Comandado pelo pianista paulista Salvador Silva Filho, o Dom Salvador, Som, Sangue e Raça, de 1971, um ano depois da explosão de Tim Maia, cataliza a formação bossa nova & jazz do lider com rhythm & blues de integrantes como o saxofonista Oberdã Magalhães, sobrinho do mestre do samba enredo Silas de Oliveira e futuro líder da Banda Black Rio, que desde o grupo Impacto 8 (entre outros Robertinho Silva, bateria, Raul de Souza, trombone) já vinha tentando agregar MPB com Stevie Wonder & James Brown. Entram ainda na mistura samba, sotaque nordestino e até o lado negro gato da Jovem Guarda representado pela presença autoral de Getúlio Cortes (irmão do posterior Gerson King Combo, o nosso James Brown cover) em Hei Você!, uma das faixas mais destacadas. Além destes elementos e da presença de Rubão Sabino (baixo), que ainda se assinava Rubens, do baterista Luis Carlos (outro que integraria a Black Rio), o disco arregimenta o trompete e flugelhorn do músico de sinfônica Darcy no lugar do original Barrosinho (mais um fundador da BR), que estava excursionando durante a gravação, mas seria o titular da banda.

Egresso do Beco das Garrafas e a caminho dos EUA, para onde se mudaria em definitivo ainda nos 70, Dom Salvador liderou o Copa Trio ao lado do baixista Gusmão e do batera Dom Um Romão. O grupo serviria de suporte para as decolagens de Elis Regina e Jorge Ben (antes do Jor), entre outros. Formou também o Rio 65 Trio com o baterista Edison Machado. O noneto Abolição (aí incluído o vocal de sua esposa, Mariá) foi uma saída para o desgastado formato trio da bossa nova. E não só. Cada faixa de Som, Sangue e Raça é diferente da anterior por conta de um cuidadoso trabalho de fusão de elementos sonoros até contraditórios como o pique folk de retreta de Folia de Reis moldado em acordeon, sopros (até tu, tuba?) e uma intrusa cuíca. Moeda, Reza e Cor tem um encadeamento de sopros que lembra os arranjos de Gil Evans para Miles Davis, mas logo desagua num solo de piano funkiado pelo baixo elétrico. Samba do Malandrinho levado pianinho (no elétrico digitar de Don Salvador) remete para a bossa nova com direito a improvisos jazzísticos.

Já Tio Macrô, repleto de reviradas de sopro e contraritmo sustentado por baixo engata num samba funk. Intercalando grandiloquencia e balanço, Uma Vida abre com declamação e uma longa introdução pianística depois picotada pelos sopros. E tome funk na veia como nas instrumentais Guanabara e Number One. O piano elétrico alicerça O Rio, um funk andante que desata em samba de escola com direito a apitos. Também a construção de sopros funkiados da faixa título acaba num samba, movido a cuíca. Com acordeon e costura acústica, Tema pro Gaguinho lembra o choro dos regionais, só que devidamente turbinado. Hey! Você (belíssima a condução de sopros) combina R&B com um ritmo de baião que antecipa a fusão de Burt Bacharach. A tamborilada Evo emoldura um funkafro com cuíca e coro. A riqueza das combinações torna o resultado muito acima da média do pop ralo das FMs, o que talvez explique o fato de o disco não ter estourado a despeito de tantos ganchos no recheio. Agora em CD remasterizado haveria até uma nova chance, se a situação não tivesse mudado. Para pior."

1 - Uma Vida -- Dom Salvador E Abolição -- (Arnoldo Medeiros & Dom Salvador)
2 - Guanabara -- Dom Salvador E Abolição -- (Arnoldo Medeiros & Dom Salvador)
3 - Hei! Você -- Dom Salvador E Abolição -- (Getúlio Cortes & Nelsinho)
4 - Som, Sangue E Raça -- Dom Salvador E Abolição -- (Marco Versiani & Dom Salvador)
5 - Tema Pro Gaguinho -- Dom Salvador E Abolição -- (Dom Salvador)
6 - O Rio -- Dom Salvador E Abolição -- (Arnoldo Medeiros & Dom Salvador)
7 - Evo -- Dom Salvador E Abolição -- (Pedro Santos & Dom Salvador)
8 - Number One -- Dom Salvador E Abolição -- (Dom Salvador)
9 - Folia De Reis -- Dom Salvador E Abolição -- (Paulo Silva & Jorge Canseira)
10 - Moeda, Reza E Cor -- Dom Salvador E Abolição -- (Marcos Versiani & Dom Salvador)
11 - Samba Do Malandrinho -- Dom Salvador E Abolição -- (Dom Salvador)
12 - Tio Macrô -- Dom Salvador E Abolição -- (Arnoldo Medeiros & Dom Salvador)

Músicos:

Piano: Dom Salvador
Saxofone e flauta: Oberdan Magalhães
Guitarra: José Carlos
Vocal: Getúlio Cortês
Baixo: Rubão Sabino
Bateria e vocais: Luiz Carlos Santos
Trompete e flugelhorn: Darcy
Vocal: Mariá
Percussão e vocal: Nelsinho
Trombone: Serginho

Dom Salvador e Abolição - Documentário "Som sangue e raça"




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Álbum Completo: Sivuca - 'Pau Doido' (1993)

28 de maio de 2012






Lançado originalmente pela extinta gravadora Kuarup em 1993, Pau Doido do sanfoneiro Sivuca ganha do próprio, o título de melhor trabalho de sua vida. Com a produção de Mário de Aratanha , o disco traz o repertório da turnê que o maestro nordestino fez na Escandinávia e norte da Europa em 1992. Pau Doido tem também a participação de João Lyra nos violões e canções de autoria de Maurício e Altamiro Carrilho, Dominguinhos e do próprio Sivuca. Forró de Colecionador.



Disco:

1 - Pau Doido
2 - Fuga Para O Nordeste
3 - Riacho Seco
4 - Seu Tenório
5 - Deixe O Breque Pra Mim
6 - Forró Na Penha
7 - Que Par Seria
8 - Mergulho
9 - Forró Em Timbaúba
10 - Um Tom Pra Jobim
11 - Canção Piazzollada
12 - Jazz Tupiniquim

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