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Mia Couto – Homenageado no Brasil, afirma que reforma ortográfica não faz sentido

3 de julho de 2009

Antes da unificação da grafia da língua portuguesa nos países africanos que falam oficialmente o português, é preciso discutir questões do âmbito social e político, defende o escritor moçambicano Mia Couto para quem a reforma ortográfica não faz sentido.

"Eu não tenho uma posição militante em relação a isso, não dou essa importância. Reconheço que pode haver algumas razões para se fazer uma reforma ortográfica. Eu sou crítico ao discurso que foi feito para justificar o acordo para ficarmos mais próximos, para nos entendermos melhor, isso é mesmo mentira", disse.

Para Mia Couto, os falantes da língua portuguesa já se entendem, "é mentira que tenhamos nos afastado do ponto de vista cultural do conhecimento". E complementa que "nós já nos entendemos, eu sempre li brasileiros sem dificuldade nenhuma".

De acordo com o sócio correspondente da Academia Brasileira de Letras que está no Rio de Janeiro para o Festival de Teatro da Língua Portuguesa, o que afasta o mundo lusófono são as "opções políticas e estratégias que as elites desses países têm". Se estas questões não forem discutidas, segundo disse à Lusa o escritor moçambicano, "vamos criar um mal entendido pensando que automaticamente, por uma razão técnica, nós vamos chegar a uma maior proximidade".

Mia Couto diz sentir prazer em ler autores brasileiros com "elementos gráficos diferentes para que essa diversidade esteja presente". E refere não ter "medo de uma língua que tenha diversidades com a tradução de marcas culturais e geográficas, não temos que ter medo disso".

Ele afirma-se resistente ao Acordo Ortográfico que no Brasil vigora desde 1 de Janeiro deste ano. Para o escritor, os países pobres de língua portuguesa precisam "resolver uma série de outras coisas antes (da reforma) que não sei se estão a ser discutidas".

"Entendo que em Portugal este assunto foi tido com muito mais nervos e componentes psicológicos" e contrapôs que em Moçambique, um país com mais de 25 línguas africanas, o português é tido como segunda língua. "As pessoas lá são quase sempre multilíngues, pois falam duas ou três línguas africanas."

Com seu livro recém lançado no Brasil "Antes de nascer o mundo", cujo título em Portugal e em Moçambique é "Jesusalém", Mia Couto considera-se antes de tudo um poeta e diz que o que lhe fascina na prosa é o "poder fazer a criação poética, não só em cima da linguagem, mas em cima da narrativa".

"Para mim a poesia não é só um gênero literário, é uma maneira de eu ver o mundo, de eu sentir o mundo", salientou ao destacar que a literatura ainda pode causar encantamento e criar utopias.

"A literatura pode mostrar o gosto de se poder sonhar e se poder construir outros dias. Não é o escritor que desenha um caminho para a saída, mas ele mostra que há um prazer em encontrar um mundo para além desse", declarou.

Após 16 anos de guerra civil com um saldo de um milhão de mortos, Mia Couto se diz céptico, mas que a literatura pode ajudar a cicatrizar as feridas.

"Eu faço arte, literatura, e sou movido por este desejo de ter um compromisso ético de criar uma sociedade nova em Moçambique, um mundo mais justo com mais verdade", explicou.

Mia Couto é homenageado na abertura de Festival de Teatro no Brasil

O escritor moçambicano Mia Couto foi o homenageado no Festival de Teatro da Língua Portuguesa (Festlip) que decorre até dia 12, no Rio de Janeiro, e leva ao Brasil onze espectáculos teatrais de seis países lusófonos.

"Estamos a consolidar uma parte da cultura de nossa língua portuguesa. O Mia Couto é homenageado pelo que ele representa e pelo incentivo que dá aos grupos de teatro. É uma pessoa que o teatro de língua portuguesa tem se alimentado", afirmou na noite de abertura do festival a idealizadora do evento, a actriz e produtora Tânia Pires.

Esta segunda edição do festival que já integra o calendário cultural carioca reúne 80 profissionais de teatro de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e Portugal.

Cada país será representado por duas companhias, a excepção de Guiné-Bissau, que faz sua estreia no Festlip com montagem do Grupo do Teatro do Oprimido, criado no país pelo recém-falecido dramaturgo Augusto Boal.

Na programação, além da palestra de Mia Couto cujo tema será a "metamorfose da literatura para o teatro", será encenado pelo Grupo Tijac, de Moçambique, o espectáculo "Mar me Quer", baseado na obra de sua autoria.

Mia Couto disse ter tido dúvidas se aceitava o convite para o festival e afirmou ter pensado em declinar e dedicou a homenagem a todos os "heróis fazedores de teatro".

O escritor disse que na reprodução das suas obras literárias para o teatro e para o cinema, há uma "tentação de que aquilo que fizemos pelo menos não morra".

"Significa que há um diálogo entre linguagens diferentes. Transplantar significa exactamente semear no outro terreno e o que vai nascer será uma outra coisa, eu noto que meu trabalho serviu de inspiração, de ponto de partida", afirmou, ao referir que procura não ter a expectativa de que o que está a ser feito possa ser um "prolongamento" de sua obra.

Nascido em Beira, Moçambique, em 1955, Mia Couto é sócio correspondente da Academia Brasileira de Letras. Além de jornalista, ex-militante político e biólogo, Mia Couto é considerado um dos grandes escritores contemporâneos africanos de literatura de expressão portuguesa.

Entre seus prémios, o moçambicano foi distinguido pelo conjunto da sua obra com o Prémio Vergílio Ferreira 1999 e também recebeu o Prémio União Latina de Literaturas Românicas em 2007.

A expectativa para este ano é de que cerca de 18 mil pessoas circulem pelas eventos culturais e assistam aos espectáculos teatrais, todos com entrada franca.

O segundo Festlip conta com apoio das embaixadas de Angola, Moçambique, Cabo Verde, Portugal, Instituto Camões, Ministério da Cultura, Fundação Palmares e Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
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Dia da Consciência Negra: Grande encontro de arte viva “capoeira

20 de novembro de 2008

O CENTRO Cultural Brasil-Moçambique (CCBM) “José Aparecido de Oliveira”, em Maputo, comemora desde ontem, 19, o “Dia da Consicência Negra”. O acto, que encerra a sábado, está a ser caracterizado pela realização de uma série de eventos alusivos a esta importante data para o povo brasileiro e que recorda a heroicidade de Zumbi dos Palmares, um dos escravos que resistiu às forças coloniais.
Para a comemoração da presente efeméride, encontra-se em Maputo o grande mestre brasileiro de capoeira, que é igualmente músico, Tonho Matéria.
Tonho Matéria é presidente da Associação Capoeira Mangagá de Salvador da Bahia, e em Moçambique vai orientar uma série de palestras e workshops, assim como actuar num espectáculo musical preparado para a celebração do Dia da Consciência Negra.
Tonho Matéria está em Moçambique também para presidir ao primeiro Grande Encontro “Arte Viva” de Capoeira, evento enquadrado nas referidas comemorações e que juntará todos os grupos de capoeira que actuam em Maputo.
Na noite desta quinta-feira, haverá uma palestra sobre a data e sua importância, e ainda um show de capoeira, de teatro e de dança. Vai-se também proceder à inauguração de uma exposição fotográfica sobre capoeira, um trabalho de autoria de Cita Vissers.
No Centro Cultural Universitário da Universidade Eduardo Mondlane, realizou-se uma palestra de Tonho Matéria sobre o marketing na capoeira e a importância da história de Zumbi dos Palmares para o Brasil e seus descendentes africanos.
Os trabalhos do Primeiro Grande Encontro “Arte Viva” da Capoeira continuará amanhã, sexta-feira, e no sábado, sendo que na manhã do último dia haverá um “Aula de Capoeira” em frente do Conselho Municipal da Cidade de Maputo, e ao fim da tarde proceder-se-á à entrega de certificados aos participantes.
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Tamy nos palcos de Maputo

13 de novembro de 2008

A cantora brasileira Tamy actua esta quinta, 13, na Rua D´Arte, baixa da cidade de Maputo, no quadro das várias iniciativas de intercâmbio cultural entre a Rua D´Arte e outras institutições moçambicanas e estrangeiras que promovem este tipo de actividades de lazer.
Considerada como a nova estrela da música brasileira, no campo da Bossa Nova, Tamy foi premiada em vários festivais de talentos do Brasil, tendo actuado com diversos músicos famosos, entre os quais o grupo Paralamas do Sucesso, Leila Pinheiro, João Bosco e Cláudio Zali.
Tamy tem dois discos editados: "Soul mais Bossa" (2004) e o que leva o seu próprio nome (Tamy) lançado este mesmo ano.
Semana passada, recordo, esteve e actuou em Maputo, a cantora brasileira Marti´nália, filha do sambista Martinho da Vila. Este ano também esteve em Moçambique uma das divas da MPB Gal Costa.
É caso para dizer: o intercâmbio cultural entre Moçambique e o Brasil está a conhecer níveis nunca antes registados.
Refiro que na capital de Moçambique funciona, num edifício construído nas primeiras décadas do século passado, o Centro de Estudos Brasileiros, cujo director é o escritor moçambicano Calane da Silva.

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Musica - MART’NÁLIA: Uma grande voz na nossa varanda

6 de novembro de 2008

MARTI’NÁLIA, a filha do consagrado sambista brasileiro Martinho da Vila, está já em Moçambique. Pela primeira vez, algo que o pai já o fez mais de uma vez.
Nos concertos que ela vem realizar em Maputo e Tete estará na companhia da sua banda, composta por 12 elementos.
Pode-se dizer, por isso, que ela vem espalhar o perfume da sua voz na varanda que Mocambique é para o oceano Índico.
O seu primeiro concerto está programado para esta quinta-feira, 6, as 20.30 horas, no Centro Cultural Universitário, em Maputo, no qual também subirá ao palco a a popularíssima cantora moçambicana Mingas, também dona de uma grande voz.
O segundo concerto de Mart’nália será sexta-feira, 7, às 19 horas, no Pavilhão do Benfica de Quelimane, na Zambézia, onde também cantará o jovem Marius.
E o último foi agendado para as 22 horas de sábado no Coconut, na capital moçambicana, no qual estará também em palco a jovem Irinah.
Mart’nália é tida como uma artista com uma voz doce e meiga, e profissional em palco.
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Artes e letras de Moçambique em exibição no Brasil

DECORRE desde segunda-feira, 4, na cidade de Brasília, capital do Brasil, a semana cultural de Moçambique naquele país da América Latina.
Para a celebração deste evento encontram-se no Brasil muitos artistas moçambicanos, entre plásticos, escritores, músicos e dançarinos e mestres de cozinha típica.
No campo das artes plásticas, a artista Chica Sales expõe doze quadros de óleo sobre tela, dois feitos em tinta de china sobre papel, quatro aguarelas e dois lápis.
No que diz respeito à literatura, o escritor Calane da Silva, que é curador do evento, lança o seu último livro, intitulado “Nhembêti ou a Cor da Lágrima”.
A semana cultural conta ainda com a realização de uma feira do livro de autores moçambicanos, assim como a realização de uma palestra sobre a literatura moçambicana e uma sessão de declamação de poesia moçambicana pela voz de Anabela Adrianoupolos.
A artista Suzeth Honwana exibe as suas bonecas produzidas à base da capulana, num quadro em que há um espaço para a exposição de capulanas, isto como forma de mostrar a sua influência cultural em Moçambique e no resto do mundo.
Na música e dança tradicional e moderna conta-se com a presença do conceituado saxofonista moçambicano Moreira Chonguiça e do agrupamento de canto e dança Milorho. Haverá ainda a exibição de filmes de cineastas moçambicanos entre os quais Camilo de Sousa, Gabriel Mondlane, Isabel Noronha, assim como de Licínio de Azevedo que sendo de origem brasileira produz e realiza filmes moçambicanos, residindo em Maputo ha mais de 30 anos.
Ao realizar-se este evento pretende-se promover a cultura moçambicana no Brasil, reforçando os laços de amizade e de cooperação, fazendo das artes e cultura um pretexto para a exaltação da cultura, cimentando ainda mais a ideia de que ela não tem fronteiras. Num outro prisma, a ideia é aproximar os povos moçambicano e brasileiro, mostrando o que há de bom, ao mesmo tempo que se vai promover as diferenças e as semelhanças, trocando experiências sobre vários aspectos da vida sócio-cultural e massificando a História de Moçambique e do Brasil.
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