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Ilhabela in Jazz: Festival em Ilhabela reúne o melhor do jazz

9 de outubro de 2015

Doze atrações nacionais e internacionais participam do festival que acontece no centro histórico da Vila, entre 15 e 18 de outubro. Hermeto Pascoal e o guitarrista Mike Stern, que tocará com o lendário baterista Dennis Chambers, estão entre as apresentações.

Mike Stern, Hermeto Pascoal e Ithamara Koorax: atrações do Ilhabela in Jazz
Hermeto Pascoal, Ithamara Koorax, Lupa Santiago e Rodrigo Ursaia Quinteto, André Mehmari Trio, Maurício Carrilho & Nailor Proveta, Leny Andrade & Trio, Nenê Trio, Quartabê, Thiago Espirito Santo “Sexto Sentido”, Felipe Blues Band, e atrações internacionais, como a Banda Hazmat Modine e o guitarrista Mike Stern em formação trio, são os nomes confirmados para a terceira edição do Ilhabela in Jazz, festival que movimentará a paradisíaca Ilhabela, no litoral norte de São Paulo, de 15 a 18 de outubro, sempre a partir das 19h.
Pelo grande palco montado no centro histórico da Vila passarão três artistas ou grupos musicais por noite, totalizando doze exibições de quinta a domingo, com entrada gratuita. A produção é assinada pela Articular, com realização da Prefeitura Municipal de Ilhabela.
Programação


15 de outubro – quinta-feira

A abertura da edição 2015 do Ilhabela in Jazz, a partir das 19h, prestigiará um artista local, Felipe Blues Band, nascido na própria  Ilhabela e considerado um dos melhores guitarristas do Litoral Norte de São Paulo. Ele tocará grandes standards do Jazz mundial em formato “big band”, acompanhado pelos músicos Binho (Baixo), Danilo Souza (Bateria), Nélio de Jesus (Piano), Odirlei Machado (Trombone), Cezar Cardoso (Sax Tenor) e Daniel Arruda (Trompete).


As 21h, quem se apresenta é guitarrista Lupa Santiago e saxofonista Rodrigo Ursaia. Eles se unem ao pianista André Marques, ao contrabaixista Bruno Migotto e ao baterista Vitor Cabral para apresentar, em formato de quinteto, composições autorais. Ambos estudaram jazz nos EUA e dedicaram-se intensamente à música brasileira, sedimentando carreiras sólidas no campo da música instrumental tanto no Brasil como no exterior. Lupa Santiago possui uma discografia significativa, tendo gravado com grandes nomes nacionais e internacionais como os renomados saxofonistas norte-americanos Jerry Bergonzi e David Binney. Rodrigo Ursaia teve uma vivência de 12 anos em Nova York, tocando e gravando com vários artistas, e integrando os grupos de Rosa Passos e Dom Salvador, com os quais fez várias turnês internacionais.



O último show da primeira noite, às 23h, contará com a participação de Leny Andrade & Trio. Considerada uma das maiores cantoras do mundo, foi premiada, em Washington, junto com Herbie Mann e Charlie Bird, com o troféu “Voz das Américas”. Ultimamente tem viajado pelo mundo, fazendo shows e apresentando-se em festivais com os maiores nomes da música internacional. Com cerca de 20 discos gravados e dois DVDs (um com, Cesar Camargo Mariano e, outro, no Teatro Rival). Leny será acompanhada pelos seus fieis escudeiros, Fernando Merlino (piano e arranjos), Erivelton Silva (bateria) e Jamil Joanes (baixo).

16 de outubro, sexta




Maurício Carrilho e Nailor Proveta 
prometem um show memorável. Instrumentista, arranjador, compositor e ensaísta, Maurício Carrilho vem dedicando-se à preservação da história da música brasileira. Sua atuação como violonista (de 6 e 7 cordas) e arranjador é muito conhecida do público graças a seus inúmeros trabalhos ao lado de ícones como Elizeth Cardoso, Chico Buarque, Francis Hime, Paulo Cesar Pinheiro e tantos outros.Nailor Proveta, como é popularmente conhecido o talentoso Nailor Azevedo, está entre os melhores instrumentistas de sopro do país e é líder da genial Banda Mantiqueira, um dos principais grupos instrumentais brasileiros, formado em 1993.



Às 21h, será a vez de conferir André Mehmari Trio, na clássica formação trio de jazz, liderado por André Mehmari ao piano, Neymar Dias no contrabaixo e Sérgio Reze na bateria. O conjunto apresenta repertório de composições próprias e recriações de clássicos do jazz e da música brasileira em um show de muito lirismo e virtuosidade.



Para o show de encerramento da primeira noite do Ilhabela in Jazz, a partir das 23h, a presença do inquestionável Hermeto Pascoal.  Artista que dispensa apresentação, pois é, certamente, um dos mais importantes compositores e instrumentistas do Brasil, famoso nos quatro cantos do planeta, Hermeto fará uma apresentação na versão Hermeto Pascoal & Grupo,  tocando acordeão, flauta, piano, saxofone e sintetizador, entre outros instrumentos.

Dia 17 de outubro, sábado



Para abrir a noite de sábado, às 19h, o baixista Thiago Espirito Santo reúne amigos e parceiros para uma homenagem mais que especial: o conjunto da obra e, muito fortemente, o modo de tocar, sentir, expressar-se e emocionar por meio da música de Jaco Pastorius. Nesse show, Thiago apresenta-se em formação de sexteto, bem ao estilo dos discos e shows de Jaco. Jorginho Neto (trombone), Diego Garbin (trompete), JP Barbosa (sax e flauta), Amoy Ribas (percussão) e Fernando Amaro (bateria) são os acompanhantes para o baixo frenético de Thiago. Imperdível!



Às 21h será a vez de Nenê Trio subir ao palco do Ilhabela in Jazz.Donos de uma das carreiras mais inventivas e originais da música brasileira, Nene Trio resulta da combinação de excelência musical com a sintonia artística adquirida em uma longa e produtiva associação. Írio traz um senso melódico aliado a uma intensa energia criativa. Alberto, grande baixista, é o elo que une as energias dos colegas em uma unidade coerente. E Nenê, baterista, compositor e pianista de profundo conhecimento da música brasileira, um espírito criativo que reinterpreta e renova a tradição rítmica.




Primeira presença internacional no palco do Ilhabela in Jazz, Mike Stern apresenta-se como última atração da noite de sábado, às 23h, com um repertório escolhido a dedo. Considerado um dos melhores e mais badalados guitarristas de jazz do mundo, é um músico com extenso currículo e que desenvolve há quase 30 anos uma premiada e elogiada carreira solo.

A carreira de Mike Stern como guitarrista começou a ganhar força quando ele integrou a banda Blood, Sweat & Tears entre 1976 e 1978. Em 1981, a glória suprema: foi convidado a integrar a banda de Miles Davis, participando com destaque do álbum ao vivo We Want Miles (1982), tocando ao lado do mestre do jazz e também de músicos do calibre de Bill Evans (sax), Marcus Miller (baixo) e Minu Cimelu (percussão).
Uma das faixas proporcionou a Davis um prêmio Grammy por melhor performance instrumental de jazz. Seu álbum mais recente é Eclectic, gravado em parceria com o guitarrista Eric Johnson e no qual canta pela primeira vez.
O lendário baterista Dennis Chambers tocará no trio do Mike Stern. Com apenas 18 anos Dennis já integrava um dos mais importantes grupos de funk e soul do mundo, o Parliament Funkadelic. Agora, em carreira solo, tem tocado ao lado dos maiores nomes do Jazz Fusion mundial, como John Scofield, George Duke e Santana, com quem excursionou por todo o mundo

Dia 18 de outubro, domingo



O último dia do festival promete. Abrindo a noite de domingo, às 19h, a presença de Ithamara Koorax.Aclamada como uma das quatro melhores cantoras do mundo pela revista Down Beat, a “bíblia do jazz”, Ithamara já apresentou-se em alguns dos principais palcos do planeta – do Teatro Municipal (Rio) ao Jazz Café (Londres), do Martinus Concert Hall (Helsinki) ao Bourbon Street (São Paulo), passando pela Sala Cecília Meirelles, Mistura Fina e Metropolitan.



Em seguida, às 21h, sobe ao palco o Quartabê.  Grupo criado a convite do Festival Moacir Santos, o Quartabê surgiu a partir da banda Claras e Crocodilos. Ana Karina Sebastião (baixo), Joana Queiroz (sax, clarinete e clarone), Maria Beraldo Bastos (clarinete e clarone) e Mariá Portugal (bateria), são a ala feminina do projeto que vem arrancando elogios da crítica e do público, com shows no Brasil e no exterior, incluindo uma temporada lotada no reduto experimental Audio Rebel (RJ).  As “Claras” unem-se a Rafael Montorfano, pianista e tecladista atuante na cena musical e teatral paulistana, para trazer uma leitura diferente do repertório já consagrado do gigante Moacir Santos. A Quartabê lança mão de referências que vão do free jazz escandinavo ao afro-beat para tentar revelar alguns aspectos não tão explorados da multifacetada música de Moacir Santos. Após uma estreia animadora no Rio de Janeiro, o grupo foi contemplado pelo edital PROAC do Estado de São Paulo acaba de gravar o disco que registra este seu primeiro trabalho “Lição número 1: Moacir”, lançado em setembro.



O encerramento da terceira edição do Ilhabela in Jazz, às 23h, acontece em grande estilo, com mais uma atração internacional: a banda Hazmat Modine. Considerada uma das mais originais de Nova YorK, Hazmat Modine oferece uma rústica mistura de jazz, blues, reggae bordel, klezmer, country e música cigana. Esta diversidade fica também patente nos instrumentos utilizados, originários da China antiga ou da Romênia. No palco do Ilhabela in Jazz, as presenças de Wade Shuman (gaita), Joseph Daley (tuba), Plamela Fleming (trompete), Steve Elson (flauta), Richard Huntley (bateria/percussão), Rachelle Garniez (acordeão), Michael Gome (guitarra), Reut Regev (trombone) e Erik Della Penna (guitarra).

Ouça as atrações do Ilhabela in Jazz:




Serviço:

Ilhabela In Jazz 2015
Data: de 15 a 18 de outubro
Horário: a partir das 19h
Local: Centro histórico de Ilhabela
Entrada: Gratuita

Programação

15/10 – Quinta
19h Felipe Blues Band
21h Lupa Santiago e Rodrigo Ursaia Quinteto
23h Leny Andrade & Trio

16/10 – Sexta

19h Maurício Carrilho e Nailor Proveta
21h André Mehmari Trio
23h Hermeto Pascoal e grupo

17/10 – Sábado

19h Thiago Espirito Santo “Sexto Sentido”
21h Nenê Trio
23h Mike Stern

18/10 – Domingo

19h Ithamara Koorax
21h Quartabê
23h Hazmat Modine


http://ilhabelainjazz.com.br/
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Ithamara Koorax e Juarez Moreira - BEM Bom!

9 de maio de 2010

Ithamara Koorax & Juarez Moreira

Por Maíra Labanca
Twitter: @mairalabanca

Olá, leitores do JazzMan! Conforme prometido, esta correspondente das Minas Gerais, vem lhes contar sobre o show de Ithamara Koorax que aconteceu no domingo passado, no Museu de Arte da Pampulha, aqui em Belo Horizonte.

A data marcou o lançamento mundial do show do cd "Bim Bom - The Complete João Gilberto Songbook", último trabalho de Ithamara Koorax acompanhada por Juarez Moreira, interpretando a obra completa de composições desse mestre da Bossa Nova.



O show estava previsto para as 11h, e os ingressos seriam distribuídos a partir das 10h. Às 10h20 a pessoa que vos escreve chegou até a bilheteria do show. Qual não foi minha surpresa quando fui informada de que os 250 ingressos haviam se esgotado às 10h15! Na esperança de uma segunda apresentação, me mantive na fila - torcendo - e arrependidíssima pelos minutos a menos que teriam feito toda diferença. Enfim, nos chega a notícia: haverá segunda seção às 13h. Seção esta que também se esgota... em 15 minutos! São 500 ingressos em 30 minutos.

Lugar deslumbrante, músicos idem: Ithamara acompanhada por, segundo ela própria definiu, um dos maiores músicos do mundo, Juarez Moreira - que no domingo apresentou a uma plateia estarrecida sua já reconhecida perfeição técnica aliada a seu estilo único e refinadíssimo.



Eu, pessoalmente, estava ansiosíssima para assistir, pela primeira vez, a que para mim é uma das maiores cantoras que já ouvi. E acreditem, no momento em que a primeira música terminou, todas as minhas expectativas já haviam sido superadas.

A técnica vocal que Ithamara emprega é tão única e funciona tão perfeitamente que não foi à toa que ela já foi indicada três vezes a Melhor Cantora de Jazz pela renomada Downbeat. Mas assisti-la ao vivo é algo surreal. Ithamara Koorax, faz o que quer com a voz e sua extensão vocal parece medir quilômetros. Suas interpretações são trabalhadas com maestria. A cada canção apresentada, temos a impressão de ter acesso direto à alma da cantora - que não se contenta em apenas cantar, mas a se entregar à arte que representa. Uma artista única, com 20 anos de carreira, reconhecidíssimos mundo afora.



Quem assistiu ao show pôde conferir interpretações de Meditação, Bim Bom, Desafinado, entre outras.

Não bastasse a união desses dois talentos, o cd de Ithamara e Juarez Moreira encontra-se atualmente no top 100 dos cds mais vendidos dos EUA.

Foi isso, show inesquecível, duas seções esgotadas em tempo recorde, expectativas mais do que superadas!



O show segue para o resto do Brasil, Europa e EUA. Neste sábado, dia 8 de maio, houve show secreto de "Bim Bom" no Sofitel Rio. Assim que confirmada a agenda de shows no país, postamos por aqui.

Confira aqui os posts anteriores do JazzMan sobre a cantora.

Para quem ainda não conhece o trabalho de Juarez Moreira segue o MySpace do músico: http://www.myspace.com/juarezmoreira


No próximo post: Savassi Jazz Festival!


Link QuebradoLink Quebrado? Link Sem FotoPost Sem Foto?



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Maíra Labanca: Nova Colaboradora do JazzMan!

5 de maio de 2010

"Sou do mundo, sou Minas Gerais."


Foi com imenso prazer que recebi ontem pela manhã o convite de me tornar colaboradora deste site que tanto admiro e que sigo há tanto tempo!

Façamos as apresentações: sou Maíra Labanca, tenho 21 anos, mineira, nascida em Belo Horizonte, atriz, cantora e uma apaixonada pelo jazz há muitos anos.


Descobri o jazz na adolescência e me lembro de ter tido a sensação da maior descoberta da minha vida. Era como se eu conhecesse todas aquelas músicas, como se inconscientemente tivessem sido a trilha da minha vida até ali. Era a trilha dos musicais que sempre amei, era a música que eu procurava há tanto tempo e nem sabia, e ela tinha nome, era o jazz.

Não preciso dizer que desde então, quando vejo essa palavrinha mágica, me atiro sem olhar e espero para ver até onde ela vai me levar. E de repente, eu que sempre fui da música popular, me vi entretida por horas nas seções eruditas das lojas de cd.

A partir de hoje, postarei aqui tudo sobre a cena jazzística mineira. E já começamos mais do que bem acompanhados, este domingo tem a estreia mundial do show do cd Bim Bom de Ithamara Koorax acompanhada por Juarez Moreira, um de nossos maiores guitarristas. Segue o link para quem quiser conferir a apresentação, que acontece esse domingo no Museu de Arte da Pampulha, às 11h da manhã. Entrada franca.

http://www.veredasproducoes.com.br/site/eventos/25


Na semana que vem digo como foi! E espero que gostem desta nova colaboradora.


No próximo post, apresento-lhes esta cantora que vos fala e seu trio. E por enquanto, deixo aqui um link do meu perfil no site da Conexão Vivo, aonde estou concorrendo ao Novos Talentos do Jazz no Savassi Jazz Festival deste ano. Lá vocês podem ouvir algumas faixas que em breve disponibilizarei aqui. E quem gostar, por favor, não se acanhe, vote no perfil!

http://labanca.conexaovivo.com.br/

http://www.myspace.com/labancamaira
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Entrevista Exclusiva: Ithamara Koorax

8 de janeiro de 2009

Ithamara Koorax e JazzMan! Foto: Fernanda Melonio

Por Leonardo Alcântara (JazzMan!)
Fotos: Fernanda Melonio

Eleita pela Revista DownBeat como a terceira melhor cantora de Jazz do mundo em 2008, a brasileira Ithamara Koorax é um dos nomes mais importantes da atual cena jazzística mundial. Sua criatividade, aliada a uma técnica vocal ímpar, faz com que Ithamara seja reconhecida no exterior, rendendo-lhe críticas positivas, prêmios e convites para cantar nos mais importantes palcos e festivais espalhados pelo mundo.

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Show no Mistura Fina

Na semana passada, a fotojornalista Fernanda Melonio e eu tivemos a oportunidade de prestigiar os primeiros shows de sua turnê brasileira, no Mistura Fina, em Ipanema. Acompanhada de uma super banda que mesclava novos músicos (Jorge Pescara (baixo) e Rodrigo Lima (guitarra)) e veteranos influentes (José Roberto Bertrami (teclados), Haroldo Jobim (bateria) e Paulo Fernando Marcondes Ferraz (percussão)), Ithamara impressionou um Mistura Fina lotado com sua potente técnica vocal e sua comovente interpretação para um repertório diversificado. Seja cantando clássicos brasileiros (Desafinado e O Pato), ou standards americanos (My Favorite Things e The Shadow of Your Smile), Ithamara entrava e saía muito bem nas mais variadas vertentes, mostrando ao público a característica principal de sua obra: a versatilidade. Simpática e atenciosa com uma platéia calorosa, Ithamara deixou sua marca, provando que a escolha da revista DownBeat não é mero acontecimento, mas a confirmação e o reconhecimento a uma cantora em puro momento de inspiração e criatividade.

Fotos do show:
Ithamara KooraxIthamara Koorax & Rodrigo LimaPaulo Fernando Marcondes FerrazIthamara Koorax & Jorge Pescara
Ithamara Koorax & bandaIthamara KooraxIthamara KooraxIthamara Koorax & banda

Brazilian Butterfly Tour 2009

Ithamara Koorax dará seguimento à sua turnê brasileira, no Bar do Tom, Leblon, durante os dias 9, 10, 16 e 17 de janeiro. A casa dispõe de 350 lugares e os preços são: R$ 60,00 (Setor Palco / 92 lugares; R$ 50,00 (Setor A / 52 lugares); R$ 40,00 (Setor Par / 118 lugares) e R$ 40,00 (Setor Par / 92 lugares). Detalhes: http://www.plataforma.com/br_tprog.htm

Depois, a turnê segue para Curitiba, Belém, São Paulo, Ásia e Europa. Antes disso, Ithamara generosamente nos concedeu uma bela entrevista, onde comenta sobre os pontos principais de sua carreira.

JazzMan!: Você acaba de ser eleita a 3ª melhor cantora de jazz do mundo pela revista DownBeat. Mas sua obra é marcada pela diversidade: seu repertório pode agradar tanto aos fãs de Jazz, quanto aos de Lounge/Eletrônico, Smooth Jazz, Bossa, Samba e outros. Como você lida com o rótulo de cantora de Jazz e como define seu trabalho?

Ithamara Koorax: Lido bem com este rótulo e com qualquer outro, porque eu não me importo com rótulos. Defino meu trabalho como "música universal", aberta a todas as influências. Meus detratores (brasileiros, claro) dizem que eu me auto-rotulei como cantora de jazz, mas isso jamais aconteceu. Este carimbo veio primeiro da crítica japonesa, quando lancei o "Rio Vermelho" em 1995 e o disco chegou ao 10º lugar em vendas na parada de jazz da revista "Swing Journal", com o Frank Sinatra em 11º. E se consolidou depois que o "Serenade in Blue" foi lançado no mercado americano em 2000.

De qualquer modo, ser rotulada como "jazz singer" pela comunidade jazzística internacional é, obviamente, um grande elogio. Me sinto lisonjeada quando sou reconhecida não apenas pelos leitores das revistas, mas também por críticos como Ira Gitler, Scott Yanow, Thom Jurek, Fred Bouchard e Frank-John Hadley. Aliás, não coincidentemente, eles são mais do que críticos, são considerados os cinco maiores historiadores de jazz na atualidade, escreveram livros importantes. E todos, exceto o Jurek, que é editor do All Music Guide, escrevem para a DownBeat. Ira Gitler é co-autor, ao lado do falecido Leonard Feather, da famosa série de "Enciclopédias do Jazz" que são a referência máxima no assunto e se apaixonou pelo meu trabalho em 2002, tanto que aceitou escrever o texto do livreto do CD "Love Dance". Yanow acaba de lançar o livro "The Jazz Singers: The Ultimate Guide", no qual me incluiu entre as melhores cantoras de jazz de todos os tempos, tendo deixado de fora nomes como Norah Jones, Joni Mitchell, Esther Phillips, Madeleine Peyroux e a espetacular Rachelle Ferrell. Não vou entrar numa ego-trip por causa disso, mas é claro que fico feliz.

JM: Alguns audioblogs disponibilizam seus cds para download de graça. Em um deles, o “Música da Boa”, há vários álbuns de sua discografia para baixar. Uma das postagens corresponde ao download do álbum Brazilian Butterfly (2006), onde você deixou uma mensagem de parabéns para o autor do blog e não se incomodou. Enquanto cantora, como você avalia o compartilhamento de suas músicas na internet: ajuda ou atrapalha?

IK: Eu acho que ajuda. A pessoa que gostar mesmo tende a comprar o disco ou pelo menos a ir ver algum show. Mas fico preocupada com o lance dos direitos autorais, porque os compositores não podem viver de brisa.

JM: Em julho de 2003 você teve a oportunidade de se apresentar no programa de Fausto Silva, na Rede Globo. Muitos criticam o programa e o rotulam de "povão" por mostrar atrações de forte apelo popular, mas sua apresentação mostrou um outro lado: você manteve o Ibope do programa crescente cantando músicas como "Cristal", "Mas Que Nada", "The Shadow of Your Smile", além de improvisar para uma platéia calorosa e impressionada por sua potência vocal. Você acredita que isso é uma prova de que esse papo de que o povo não quer ouvir coisas diferentes é mito e que o problema está na difusão e não nas pessoas?

IK: Claro que é isso! Você já explicou tudo! Eu fui convidada para cantar no Faustão logo depois de ter assinado com a Som Livre para lançar o "Love Dance" no Brasil em 2003. Pediram que eu preparasse duas músicas ("Cristal" e "Iluminada", por terem sido temas de novelas) e disseram que havia a possibilidade de uma terceira música, "Aquarela do Brasil", porque o Fausto tinha gostado da minha gravação e queria aproveitar para fazer uma homenagem ao Ary Barroso. Mas esta terceira música só aconteceria se o Ibope não caísse. Pois bem: não só o Ibope não caiu, como subiu e não parou de subir. Fiquei no ar por quase 20 minutos e o programa se manteve como líder de audiência o tempo todo, batendo o Gugu, que era o grande concorrente naquela época. Tudo inteiramente ao vivo e sem ensaio! E sem playback. Levei minha banda e tocamos o que o Faustão ia pedindo.

Teve uma hora em que, depois do Caçulinha me elogiar, o Fausto começou a dizer: "olha só o agudo dela, parece sintetizador". E pediu para que eu improvisasse alguns efeitos a capela. Ele disse literalmente: "se vira nos 30"! Eu me diverti muito naquela tarde, o CD "Serenade in Blue" esgotou no Brasil todo (o "Love Dance" ainda não tinha sido lançado), e depois do programa a direção da Globo me homenageou com um jantar.

A parte chata da história foi que minha presença no programa gerou muita inveja, recebi quase uma centena de e-mails desaforados (enviados, claro, pelos "anônimos" sempre covardes) e muitos comentários negativos foram postados na internet. Precisei até tomar providências jurídicas quando os insultos atingiram o nível de difamação. Teve um músico de São Paulo, que a perícia conseguiu identificar, que me mandou um e-mail como se fosse o Jorge Benjor, usando o endereço de e-mail dele. Na mensagem ele me acusava de ter assassinado o "Mas Que Nada" e pedia que eu nunca mais cantasse a música. Veja a que ponto a coisa chegou! Isso eu acho lamentável e tristíssimo, porque alguém que se pretende artista ficar falando mal de colega de trabalho na internet é o fim da picada.

Outro dia eu li, num blog horroroso, que eu só era conhecida nos Estados Unidos pelos "japoneses endinheirados" (!!!) e que só fazia shows em cruzeiros. Logo eu que nunca cantei em navio! E se cantasse também não teria nada demais, porque até o Herbie Hancock e o Marcus Miller tocam em cruzeiros.

JM: Na lista das melhores cantoras do mundo da revista Downbeat, elaborada por seus leitores, você figura logo atrás de Dianna Krall e Cassandra Wilson. As duas são da geração dos Young Lions, composta por músicos surgidos nos anos 80 e 90 com a proposta de valorizar as tradições jazzísticas e que custa a absorver inovações. Mas trabalhos como Love Dance e Brazilian Butterfly são totalmente diferentes dessa proposta. Como você conseguiu vencer nesse mercado?

IK: Justamente por conta da tal "imprevisibilidade", que também significa criatividade. Paradoxalmente, demorei muito mais a entrar no mercado americano pela mesma razão, pois é um mercado realmente mais "protecionista".

A mesma coisa aconteceu com a Flora Purim. Ela morava nos EUA desde 1968, excursionava pela Europa com o Stan Getz, tinha gravado em Londres com o Chick Corea ("Light As A Feather"), mas só despontou na cena jazzística americana em 1974, quando chegou ao primeiro lugar na eleição dos leitores da DownBeat ao lançar um disco nos EUA, o "Butterfly Dreams". Ela venceu por cinco anos seguidos, até 1978, numa época em que as grandes divas, como Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan, Carmen McRae e Betty Carter, ainda estavam vivas e cantando uma barbaridade. Mas a Flora chegou com uma sonoridade inovadora, totalmente diferente daquele scat-singing de bebop, e foi isso que chamou a atenção.

Entre 1990 e 2000, eu só atuava na Ásia e na Europa, onde também estabeleci um nome na área da dance-music. Mas apenas ao lançar o "Serenade in Blue" nos EUA, em 2000, foi que as portas do mercado americano começaram a se abrir. Mesmo assim, é claro que a popularidade da Diana Krall, a quem eu admiro muito, é mil vezes maior que a minha.

JM: A exemplo de Flora Purim e Tânia Maria, você saiu do Brasil para fazer a sua carreira, conquistando o mercado americano, europeu e japonês, sendo muito elogiada por público e crítica e colhendo prêmios por seus trabalhos. Mas no Brasil muitos não sabem disso. Suas músicas já foram trilhas de novelas e filmes aqui, mas raramente são executadas nas rádios, mesmo tendo em seu repertório músicas que podem ser radiofônicas. De alguma maneira isso a incomoda? Conquistar o mercado brasileiro é um de seus desafios?

IK: Várias vezes eu tive, no Brasil, a sensação de ser "invisível". Mas não é culpa minha nem do público, que lota todos os meus shows se souber que aquele show está acontecendo. A superlotação que você viu duas noites seguidas no Mistura Fina não é novidade alguma. Eu canto no Mistura desde 1990, meu primeiro ano de carreira profissional. E todas as temporadas são um sucesso de público. Sempre rolam os pedidos de shows extras e eu já fiquei até três semanas em cartaz. Este ano isso só não vai acontecer no Mistura porque eu já tinha me comprometido em levar o show para o Bar do Tom.

Você é testemunha ocular da forma calorosa como a platéia me trata, interage, canta junto. Eu AMO fazer shows, Principalmente no Brasil. Em 2005, eu fiz uma temporada de três meses no Sofitel. Em 2006, foram quatro meses seguidos de casa lotada! Só que nem sempre a imprensa noticia isso. Mas eu costumo viajar bastante pelo Brasil. Vou de Rio Branco (Acre) a Ipatinga (Minas Gerais), de Teresina (Piauí) a Sorocaba (São Paulo), sempre com casa cheia. Eu sou um fenômeno! (rssss)

Meu desafio não é conquistar nada, é apenas levar o meu canto ao maior número possível de lugares, no mundo todo. E o Brasil faz parte do mundo. Como eu mantenho sempre o mesmo padrão de qualidade, sempre dou ao público o melhor de mim, tenho o mesmo prazer em cantar em Zurique ou em Nova Iorque ou em Belém do Pará.

JM: Você já cantou e gravou com grandes gênios da música. Podemos citar verdadeiros inovadores como Tom Jobim, Claus Ogerman, Dom Um Romão, Elizeth Cardoso, John McLaughlin e muitos outros. De onde vem essa facilidade de tocar com tantos nomes de peso? Ainda há alguém com quem você queira fazer uma parceria?

IK: Todos esses encontros aconteceram naturalmente. Quando você ama muito a obra de um artista, estabelece-se uma conexão espiritual e um dia o encontro físico se realiza.

Eu ouvia Elizeth Cardoso desde a minha infância, foi a minha primeira cantora favorita porque meus pais tinham vários discos dela. Um dia eu fui a São Paulo fazer um show, com Guinga e Paulo Cesar Pinheiro, e quem estava na platéia? Elizeth! Até aí tudo bem, ela podia nem ter gostado do meu estilo. Mas no final do show ela pediu para subir ao palco e ficou uns cinco minutos me elogiando. Eu não acreditava que aquilo estava acontecendo! Depois eu a convidei para assistir um outro show no Rio e ela virou minha madrinha artística.

O Tom Jobim ouviu meu primeiro CD, "Ao Vivo", vencedor do Prêmio Sharp em 1994, porque ganhou um exemplar de presente da irmã dele. O disco tinha umas três ou quatro músicas do Tom e ele gostou tanto que um dia me ligou e falou: "Do próximo disco eu quero participar". Achei que ele tinha sido gentil ao falar aquilo, mas resolvi arriscar e o convidei quando comecei a fazer o "Rio Vermelho". Ele aceitou de imediato e gravamos algumas músicas em outubro de 1994. Somente uma entrou no disco, as outras gravações permancem inéditas. Mas uma das músicas era "Absolut Lee", que eu regravei depois para a trilha da novela "Celebridade" em 2003.

Dom Um eu conheci em 1991, em Nova Iorque, e depois nos reencontramos em 1996, quando ele foi assistir a um show meu com o Azymuth. No final, foi até a beira do palco me cumprimentar, beijou as minhas mãos e disse: "precisamos fazer um som juntos!" Tenho isso filmado! E tocamos pelo mundo todo até 2005. O McLaughlin e o Ron Carter eu conheci através do Luiz Bonfá, que foi meu vizinho na Barra da Tijuca por dez anos. Ele foi um pai musical para mim.

Com o Claus, o Sadao Watanabe e o Larry Coryell também fluiu de uma forma espontânea. Talvez a única exceção tenha sido o Jay Berliner, que foi guitarrista do Charles Mingus. Eu sempre fui apaixonada por discos dele com o Milt Jackson ("Sunflower") e com o George Benson ("White Rabbit"), e resolvi convida-lo para participar do "Serenade in Blue". Ele não sabia quem eu era, mas gostou dos discos que eu mandei e aceitou gravar. Também não posso deixar de falar do Dave Brubeck, que é um grande amigo e me apadrinhou na comunidade jazzística americana porque é muito influente. Além de gênio, é o gentleman dos gentlemen. Tocar e conviver com esses mestres é mais importante do que qualquer prêmio.

JM: No seu show, fiquei muito comovido com a maneira que você se entrega no palco. Estavas tão simpática, bonita, elegante... Se expressava das mais diversas formas, seja triste ou alegre, como se ali não estivesse apenas uma Ithamara. Quem é a Ithamara Koorax no palco? Quem são essas Ithamaras que há dentro de você quando está cantando?

IK: É a mesma Ithamara Koorax do dia-a-dia, sujeita a diferentes emoções e que se expressa de várias maneiras, mas é sempre a mesma pessoa, dentro ou fora do palco. Durante o dia tem momentos em que você está reflexiva, em outros mais agitada, em outros mais emocionada ou com a sensualidade mais aflorada. Tudo isso vai automaticamente para o palco na hora do show. Eu não controlo nem disfarço minhas emoções. Uma vez, durante um show em Seul, na Coréia, em 2006, o público me acolheu de uma forma tão carinhosa, rolou uma empatia tão grande, que eu e a platéia choramos juntos, e terminei o show aos prantos, de tanta felicidade. Num concerto com a Orquestra Jazz Sinfônica, em São Paulo, em 2005, eu também não segurei o choro quando dediquei "Mas Que Nada" ao Dom Um Romão, que tinha acabado de falecer. Parecia que ele estava ao meu lado no palco, cantei arrepiada o tempo inteiro. Este vídeo alguém até colocou no YouTube. Em dezembro último, o concerto em Nova Iorque ao lado da big-band Amazon, do Maestro Thiago de Mello, celebrando os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU, também foi emoção pura.

JM: Para finalizar: você teve um ano maravilhoso em 2008 e estará gravando um novo álbum em abril. Pode adiantar alguma coisa de como será 2009?

IK: Eu tento me planejar o mínimo possível, gosto das coisas fluindo naturalmente. Tanto que, embora eu esteja com dois discos recém-lançados (os tributos a Dom Um Romão e Stellinha Egg), os shows no Mistura Fina não tiveram nenhuma ligação com eles. Bolei um show totalmente diferente, incluindo apenas quatro músicas de discos antigos, como "The Shadow of Your Smile", "Un Homme et Une Femme", "I Fall in Love Too Easily" e "Mas Que Nada", e temas que eu adoro mas que ainda não gravei.

O repertório do próximo disco será escolhido pelo público brasileiro, durante esta turnê. As pessoas recebem uma cartela e escolhem cinco músicas que gostariam que eu gravasse.

Depois dos shows no Rio, sigo para Curitiba, Belém e São Paulo. Depois, Ásia e Europa. Volto no final de abril para gravar o disco no Brasil e aí começo um novo ciclo. Tenho encomendas de músicas para outros artistas e para trilhas de filmes. O prazer de poder me reinventar, sem depender da autorização de gravadora ou permissão de empresário, é indescritível. A liberdade é o maior tesouro! JM

http://www.koorax.com/
http://www.ithamarakoorax.blogspot.com/

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Ithamara Koorax dias 02 e 03 de janeiro no Mistura Fina - RJ

2 de janeiro de 2009


Por Leonardo Alcântara (JazzMan!)
Foto: divulgação

Em turnê pelo país, a cantora carioca Ithamara Koorax desembarca na sua cidade natal para apresentar ao público carioca o seu show que faz parte de sua Brazilian Butterfly Tour 2009.

O show será baseado no seu último cd, Brazilian Butterfly, onde Koorax interpreta canções de grandes compositores, como Caymmi (O Vento), Milton Nascimento (Caxangá) e Herbie Hancock (Butterfly). Além das músicas do novo cd, o público poderá interagir com a cantora, escolhendo cinco canções que farão parte de seu próximo cd, que será gravado em abril. A banda será formada pelos músicos José Roberto Bertrami (teclados), Jorge Pescara (baixo), Haroldo Jobim (bateria), Rodrigo Lima (guitarra), Paulo Fernando Marcondes Ferraz (percussão) e Marcos Ozzellin (vocais).

2008

2008 foi um ano de glórias e reconhecimento para Ithamara Koorax. Sucesso de público e crítica, a cantora foi eleita uma das três melhores cantoras de jazz do mundo pelos leitores das revistas DownBeat, Swing Journal e Jazz People. No último 10 de dezembro, durante a sua turnê pelos EUA, Ithamara Koorax cantou na New York University com a big band Amazon, em show organizado pela ONU, nas comemorações dos 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Todo esse reconhecimento do exterior pela brasileira vem de pessoas que admiram o seu repertório diversificado, seu espírito aventureiro, e seu talento notável que faz dela uma das melhores cantoras de jazz do mundo.

Serviço:
De 02/01 a 03/01 - Sex e Sab
Horário: às 21h30
Preço: de R$40,00 a R$60,00

Mistura Fina
Av. Rainha Elizabeth - 769
Ipanema
Fone: 2523-1703


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