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Com virtuosismo e sem clichês, Lori Bell revisa o lado B de Djavan

28 de setembro de 2015



Lori Bell
Título: 'The Music of Djavan'
Gravadora: Resonance Records

Por Leonardo Alcântara

Há quase 40 anos, em 1976, Djavan iniciava a sua carreira fonográfica com um estrondoso sucesso: o samba Flor-de-lis, gravado no disco “A voz, o violão, a música de Djavan”. Aquela melodia grudenta aos ouvidos e aquela letra triste, mas ao mesmo tempo alegre, apresentava ao país aquele que viria a se tornar um dos mais criativos e importantes artistas brasileiros. Quem apostou que aquele rapaz franzino e de voz aveludada iria romper as fronteiras do país e conquistar uma legião de fãs pelo o mundo, foi certeiro. Não tardou para Djavan conquistar o eixo EUA-Europa-Japão, tendo suas músicas gravadas por nomes de peso, como Al Jarreau, Carmen McRae e Stevie Wonder.

Revisar um artista reconhecido mundialmente por um som de sotaque jazzístico, de harmonias complexas e melodias peculiares, pode não ser tarefa das mais fáceis, mas a flautista americana Lori Bell resolveu apostar no desafio de revisar o universo plural de Djavan e conseguiu com muita autoridade, desenvolver um trabalho virtuoso, sem clichês, valorizando os atributos criativos do compositor alagoano.



Em 'The Music of Djavan', Lori Bell descarta ritmos clássicos e radiofônicos, tão revisitados e executados no Brasil e aposta no lado B de Djavan, como "Jogral", "Liberdade", "Obi" e "Canto da Lyra". Mesmo quando executa canções mais famosas, como "Álibi" e "Faltando um Pedaço", percebemos um frescor autoral. e a autenticidade de uma artista que soube transformar o óbvio e fazer desse álbum, um tributo que foge à regra de meras regravações.



A recriação da obra de Djavan, passa pela a a compreensão desse artista e surpreende que uma americana, até então um pouco conhecida do grande círculo de jazz tradicional, tenha feito com tamanha autoridade. Acompanhada por Tamir Hendelman (Piano), David Enos (Baixo), Enzo Todesco (bateria), Anna Gazzolla (Percussão e Voz) e Angelo Metz: (Guitarra), Lori e seu time jogam sobre as aquarelas e produzem 'djavaneios' geniais! O samba sincopado, o toque sofisticado e o afro-jazzístico de Djavan estão todos aqui para dar orgulho ao homenageado e deixar muito brasileiro boquiaberto.

O virtuosismo da flauta de Lori e as interações contrastando com piano e baixo são um atrativo à parte. Apostando em modulações irregulares, mesclando o sublime com o swing, Lori nos apresenta um registro ímpar, que vale pela a coragem, pela a ousadia e pelo o talento. JM

http://www.loribellflute.com/
http://www.resonancerecords.org/

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Gnosticismo é o "Jazz" das Religiões

11 de janeiro de 2012

Por Wilson Ferreira (cinegnose.blogspot.com)

 Certa vez Louis Armstrong disse a um jornalista: "Cara, se você for perguntar o que é o Jazz, então nunca saberá". Algo semelhante ocorre com termos como "Gnosticismo" ou "Gnose" na história das religiões: devem ser mais experimentados do que compreendidos. Pelas suas próprias origens sincréticas (uma fusão de platonismo, neo-platonismo, estoicismo, budismo, antigas religiões semíticas e cristianismo), o Gnosticismo poderia ser facilmente comparado ao Jazz que, pelas suas origens, também foi resultante de intensas misturas e adaptações.

O que é Gnosticismo? Seja pelo ponto de vista histórico (conjunto de seitas sincréticas de religiões iniciatórias e escolas de conhecimento nos primeiros séculos da era cristã) ou pelo ponto de vista dos renascimentos na era moderna (grupos e, por analogia, a todos os movimentos que se baseiam no conhecimento secreto da “gnose”) são definições que podem levar à generalização e confusão.

Mesmo com a descoberta, em 1945, de textos gnósticos do século IV em Nag Hammadi (Egito), muitos concordam que o tema ainda continua com muitos pontos dúbios.

Hoeller e Conner preferem abordar o Gnosticismo como uma “atitude da mente” ou uma “predisposição ideológica” que surge em ambientes de grande agitação artística e cultural. “Se você é um artista sério, já é meio gnóstico”, afirma Conner. Nessas condições, o Gnosticismo está fadado a um novo renascimento.

Mas há um consenso: o Gnosticismo e seus derivados esotéricos nunca fizeram parte da cultura sancionada pelas instituições. Desde o triunfo do cristianismo ortodoxo após Constantino, a tradição gnóstica entrou para o subterrâneo dos movimentos sociais. Bem sucedido em seus canais subterrâneos, eventualmente ofereceu a pensadores revolucionários e artistas subsídios importantes para críticas aos sistemas opressivos políticos, sociais ou culturais.

É por esse caminho que Miguel Conner (escritor norte-americano de sci fi e editor/apresentador do programa radiofônico "Aeon Bytes Gnostic Radio" - programa de debates e entrevistas semanais sobre temas do Gnosticismo, literatura e cultura pop) vai focar o Gnosticismo ao compará-lo ao Jazz no campo musical. Impossível de ser definido, o Jazz escapa a qualquer descrição ou análise mecanicista. Para Conner, o Gnosticismo se enquadraria nessa mesma natureza. Pelas suas próprias origens sincréticas (uma fusão de platonismo, neo-platonismo, estoicismo, budismo, antigas religiões semíticas e cristianismo), o Gnosticismo poderia ser facilmente comparado ao Jazz que, pelas suas origens, também foi resultante de intensas misturas e adaptações.

Para corroborar com essa ponto de vista, Conner faz uma referência a um texto do escritor de sci fi norte-americano Philip K. Dick sobre “Os Dez Princípios da Revelação Gnóstica”.

Reproduzimos abaixo essa análise de Miguel Conner.

QUAIS SÃO OS PRINCÍPIOS DE UM GNÓSTICO CRISTÃO?

O escritor Philip K. Dick
escreveu
"Os Dez Maiores Princípios da
 Revelação Gnóstica"
Gnosticismo é o Jazz de todas as religiões. São igualmente individualistas, embora sua disseminação seja coletiva; extrovertidos e selvagens nas suas mais íntimas paixões, embora aparentemente contidos em contextos surreais; propensos à adaptações e, dependendo do público, tendem à apropriações para melhorar suas performances. Jazz e Gnosticismo sempre vicejaram nas nevoas, nos cantos escuros da sociedade, assim como nos locais de explosão artística.

Quando pensamos que encostamos os dedos no Gnosticismo ou no Jazz, fogem do nosso toque para reaparecerem em outra divertida manifestação, porém em tons graves e reflexivos provenientes das suas sombrias origens.

No livro “The Gnostic Religion”, Hans Jonas escreveu que para entender o Gnosticismo é necessário uma espécie de ouvido musical que deve ser continuamente treinado.

Não é fácil viver em um mundo onde a fé dominante requer pessoas que executem as regras de um mecânico Salieri ao invés de um etéreo Mozart, tal como apresentado no filme “Amadeus”. Fica difícil compreender uma religião esotérica em um mundo desatento que sempre busca coisas de fácil digestão.

Mas se buscamos uma definição de Gnosticismo, pode vir muito bem de uma pessoa cuja primeira paixão foi a música – Philip K. Dick, considerado por muitos o último e maior bandleader do Gnosticismo.

O Gnosticismo visionário de K. Dick é bem conhecido em seus livros “Valis” e “The Divine Invasion” e nas adaptações cinematográficas como “Blade Runner” e “Minority Report”. Ainda que K. Dick tenha gasto a maior parte da sua vida expressando suas descobertas místicas em seu “Exegesis”. Embora “Exegesis” seja um trabalho pesado, K. Dick acabou conseguindo produzir uma sintética de princípios do Gnosticismo que pode atender às necessidades daqueles que querem aprimorar o ouvido musical.

Aqui estão os “Os Dez Maiores Princípios da Revelação Gnóstica”:

Os gnósticos cristãos do século II acreditavam que, mais do que a fé, somente uma forma especial de revelação pelo conhecimento poderia trazer a salvação. Os conteúdos dessa revelação não poderiam ser recebidos empiricamente ou derivado de algum a priori. Consideravam essa especial gnosis tão valiosa que achavam necessário mantê-la em segredo. Aqui estão os dez principais princípios da revelação gnóstica:

- O criador desse mundo é louco;

- O mundo não é o que parece ser, pois encobre o mal contido nele através de um véu de ilusão que obscurece a existência da divindade enlouquecida;

- Existe outro reino, com um Deus melhor, e todos os esforços devem ser direcionados para: Retornar para lá; Trazê-lo aqui;

- Devemos recordar das nossas origens nas estrelas que remonta há milhares de anos;

- Cada um de nós possui uma contraparte divina que pode ser encontrada para nos fazer despertar. Essa outra personalidade é o nosso autêntico self desperto; o outro, aquele que nós possuímos, está adormecido. Estamos de fato dormindo e nas mãos de um perigoso mágico disfarçado de Bom Deus, mas na verdade uma divindade criadora demente. A desolação, o mal e a dor nesse mundo, o fato de vivermos em uma prisão controlada por um criador demente, produzem em nós, desde o início, um princípio de realidade dividido que nos faz adormecer de bom grado na ilusão;

O Demiurgo: o criador
desse mundo enlouqueceu
- Você pode sair dessa delirante prisão para ingressar no reino da paz se o verdadeiro Bom Deus colocá-lo sob sua Graça e permitir que veja a realidade através dos seus olhos;

- Ao invés de receber, Cristo deu revelação; ensinou seus seguidores a entrar, ainda vivos, no Seu reino, enquanto as outras religiões trazem apenas o esquecimento sobre o conhecimento de um “outro tempo” em um “outro reino” que não é daqui. Ele nos faz retornar a viver como o Deus Único (isto é, o Logos);

- Provavelmente a real Igreja Cristã ainda exista secretamente no subterrâneo, sob a chefia ou governo do Corpus Christ vivo, onde seus membros são absorvidos por Ele. Razão pela qual provavelmente têm um vasto e quase mágico poder;

- A divisão entre dois tempos e dois reinos (o Bem e o Mal) terminará abruptamente com a vitória do Bem, que tornará visível um reino que atualmente é mantido invisível. Não podemos saber quando isso acontecerá;

- Até lá estaremos como em uma ponte, sendo julgados se fomos fiéis ao enlouquecido demiurgo criador desse mundo ou fiéis ao Deus Único e Seu Reino, o qual conhecemos através de Cristo.

“Os Dez Maiores Princípios da Revelação Gnóstica” é uma importante lista de princípios de um indivíduo que possua um apurado ouvido musical para entender o Gnosticismo. Mas na atualidade todos os princípios desta artística fé são apenas notas musicais soltas diante de um cenário em preto e branco. A melodia não pode ser apenas compreendida, mas tem que ser experimentada para podermos receber plenamente suas recompensas.

Se uma pessoa não consegue entender o Gnosticismo depois de repetidas sessões, então talvez seja melhor render-se a uma frase que certa vez Louis Armstrong disse a um repórter:

“Cara, se você perguntar o que é o Jazz, então nunca saberá”

De qualquer forma, aqui está um simples princípio em uma única linha que um ortodoxo ou fundamentalista poderá entender:

“Gnosticismo toca uma música infernal, figurativamente e literalmente”

E “All That Jazz”.

(CONNER, Miguel. "What are the Main Principles of a Christian Gnostic?" In: Examiner.com).


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Lucas Galvão: Jeff Coffin em BH

25 de agosto de 2011

Jeff Coffin

Texto: Lucas Galvão
Fotos: Túlio Galvão
(exclusivo para o blog JazzMan!)

Apesar de grande admirador da Dave Matthews Band, confesso que eu não conhecia bem os trabalhos individuais de seus músicos, mesmo sabendo que todos eles sempre foram muitíssimo conceituados como instrumentistas. Parte disso se devia ao fato que conhecer a discografia da trupe de Dave Matthews enquanto grupo já demanda grande esforço, até pela mesma estar coalhada de registros ao vivo. Parte se devia à inevitável e triste verdade de que tudo que há de música boa e interessante pra se ouvir excede muito a capacidade e tempo da maioria de nós (talvez mesmo de todos nós). Felizmente, o aviso de meu amigo Leonardo Alcântara sobre o show do saxofonista Jeff Coffin em BH me permitiu preencher essa lacuna, ainda que parcialmente.


Jeff Coffin entrou na Dave Matthews Band há alguns anos, substituindo LeRoi Moore, falecido em 2008 em decorrência de um acidente de quadriciclo. Antes de se juntar à banda, Coffin havia ficado conhecido por seu trabalho com Béla Fleck e sua banda The Flecktones, famosos por fazer uma fusão entre o bluegrass e o jazz. Além disso, já havia colaborado com músicos do naipe de Brandford Marsalis e o grupo Medeski, Martin & Wood. O músico veio ao Brasil trazendo seu projeto de jazz, batizado de Jeff Coffin and The Mu’tet. Acompanhado de Felix Pastorius (filho do lendário Jaco Pastorius, no contrabaixo), Jeff Sipe (ex-Aquarium Recue Unit, na bateria), Mike Seal (jovem fenômeno de pouco mais de 20 anos, na guitarra) e Bill Fanning (trompetista tarimbado por anos de experiência), Jeff Coffin incluiu em sua passagem pelo Brasil, além de show no Rio e em São Paulo, uma improvável incursão por Belo Horizonte. Para minha felicidade.


Mesmo que Dave Matthews e seus comparsas usem de diversos elementos do jazz para compor sua sonoridade pop, os públicos não são coincidentes, de um modo geral. Do que pude perceber, entre o bom público que compareceu ao Hard Rock Café havia uma maioria de fãs do conjunto americano do que de consumidores de jazz, o que poderia ser talvez fruto do público de jazz de belo horizonte estar mais acostumado a pequenos shows em cafés e bares, além de que a divulgação do show foi bem restrita. Eu mesmo não teria ficado sabendo do mesmo se não fosse meu amigo agora residente em Buenos Aires me avisar pela internet, e me considero um cara relativamente “antenado” sobre o que rola por aqui.



Também no espaço híbrido entre o jazz e a música pop se encaixou a escolha do lugar do show. Ao contrário de boa parte das casas de show de Belo Horizonte, como o horrível Chevrolet Hall, o Hard Rock Café possui uma acústica razoável, ainda que com suas limitações e que não chegue a ser propriamente um teatro. Ainda assim, a casa apresentou sérios problemas, como as poucas cadeiras e mesas posicionadas em frente ao palco, deixando no ar a pergunta se seria um show pra se assistir sentado ou em pé. Claro que se tratava de uma justa opção da casa para tentar privilegiar as mesas e o público que consome, mas fato é que tal decisão ter prejudicado o espetáculo, que, ao meu ver, deveria estar para a casa de shows acima de outras preocupações. A solução para o público acabou sendo recolher cadeiras que estavam do lado de fora e trazê-las para dentro, o que se viu obrigado a fazer inclusive o grande guitarrista Toninho Horta, sentado a poucos metros de mim. Inicialmente os presentes que “importaram” cadeiras foram mesmo questionados pelos seguranças, mas diante da falta de opções para o problema, a própria gerência da casa acabou cedendo.


O show de abertura ficou por conta da banda Tripping Billies, cover local de Dave Matthews Band já com alguns anos de estrada e cujo show eu nunca havia visto. A banda subiu ao palco e fez uma apresentação competente e carismática, embora curta, como era de se esperar de um show de abertura. A banda mostrou sintonia e grande semelhança aos arranjos originais, o que, convenhamos, já é por si só um mérito, uma vez que os mesmos são por vezes complexos. As aproximadamente cinco músicas tocadas incluíram clássicos como “Tripping Billies”, que empresta nome à banda, e “#41”, essa última com sua tradicional sessão de improvisos um pouco podada, até em função da duração do show. Ao fim, a banda tocou “Ants Marching”, das mais conhecidas canções da Dave Matthews Band, levantando o público e fazendo muitos cantarem (o que confirmou minhas suspeitas com relação ao público). Estava aberta a noite para a música de Jeff Coffin.

Depois de um intervalo que durou entre 20 e 30 minutos, para os necessários ajustes técnicos, chegou o momento mais aguardado da noite e o Mu’tet subiu ao palco. Entre sorrisos e breves demonstrações de simpatia (dentre elas o fato do trompetista Bill Fanning vestir a camisa da seleção brasileira), a banda de Jeff Coffin não perdeu tempo e mostrou logo a que veio, abrindo o show com seu jazz cheio de vigor e energia.

O som do quinteto de serve em parte do bebop e de escolas mais tradicionais do jazz, mas sem deixar de lado toques de funk e uma grande criatividade que dificulta inclusive a classificação do grupo em qualquer escola. Após passar pelo tema principal, em todas as músicas houve espaços para improvisos individuais de cada um dos instrumentistas. Começando geralmente com uma sonoridade mais tradicional do saxofone para depois adentrar por caminhos cheios de efeitos, distorções e pedais, Jeff Coffin soube dar a cada solo grande musicalidade e fazer valer sua empatia com o público. Mesmo se servindo do virtuosismo em algumas passagens, o músico soube não deixar que isso ocultasse a musicalidade das melodias que escrevia com seus sopros, e por vezes optou por ritmos e melodias mais suaves quando as canções assim exigiam. O mesmo pode-se dizer do trompetista Bill Fanning, que soube usar efeitos, distorção e virtuose a favor da música, e não contra ela.

Após duas pedradas de mais de dez minutos cada uma, sem muito intervalo para devaneios, o músico enfim conversou com a platéia, já na introdução de uma terceira canção. Se mostrou educado, simpático, mas também enxuto: sua comunicação mais expressiva foi de fato através da música. Também o sotaque nativo falado rápido, somado à bateria já tocando ao fundo, prejudicou uma melhor compreensão do que dizia o músico para o público presente. Nada que tirasse o entusiasmo do público, que em maioria não arredou pé durante as quase duas horas de show que se seguiram. Entre momentos mais intensos e mais suaves, teve destaque pra mim um tema que, como Jeff Coffin fez questão de destacar, é dedicado ao soulman Al Green.

A banda toda se empenhou na construção de uma bela sonoridade coletiva, dando suporte uns aos outros o tempo inteiro. Felix Pastorious, por exemplo, teve garantida a base musical para trocar cordas do seu baixo que ocasionalmente arrebentaram, o que fez rapidamente, numa demonstração de sangue frio e profissionalismo. Também teve destaque no processo a guitarra do jovem Mike Seal, que mesmo privilegiando solos não deixou de se servir de acordes que enriqueceram a música, se valendo dos mesmos até no processo de improvisação. Jeff Sipe na bateria também demonstrou competência em garantir a base e não querer aparecer mais que o resto da banda, exceto é claro em seus momentos de solo.

Mais pros momentos finais do show, Jeff Coffin usou também de recursos como tocar dois saxofones ao mesmo tempo, enchendo o ar de som ao executar a base de suas músicas, uma vez que fazer o mesmo em momentos de improviso seria praticamente impossível. Também para enriquecer a sonoridade, o músico no momento do bis se valeu também da flauta, instrumento que domina e que usa constantemente nas apresentações da Dave Matthews Band, mas que ainda não havia usado na noite, até pelo instrumento ter uma ligação menos direta com o jazz.

Por fim, os músicos saíram de palco aplaudidíssimos e sorridentes, agradecendo muito ao público. Mesmo diante de um público talvez não tão acostumado a uma música instrumental tão pura, a excelência e musicalidade da banda sobressaíram, conduzindo a platéia ao êxtase coletivo e deixando todos com a sensação de ter presenciado um momento único. Justamente como um bom show de jazz deve fazer.JM


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Ithamara Koorax e Juarez Moreira - BEM Bom!

9 de maio de 2010

Ithamara Koorax & Juarez Moreira

Por Maíra Labanca
Twitter: @mairalabanca

Olá, leitores do JazzMan! Conforme prometido, esta correspondente das Minas Gerais, vem lhes contar sobre o show de Ithamara Koorax que aconteceu no domingo passado, no Museu de Arte da Pampulha, aqui em Belo Horizonte.

A data marcou o lançamento mundial do show do cd "Bim Bom - The Complete João Gilberto Songbook", último trabalho de Ithamara Koorax acompanhada por Juarez Moreira, interpretando a obra completa de composições desse mestre da Bossa Nova.



O show estava previsto para as 11h, e os ingressos seriam distribuídos a partir das 10h. Às 10h20 a pessoa que vos escreve chegou até a bilheteria do show. Qual não foi minha surpresa quando fui informada de que os 250 ingressos haviam se esgotado às 10h15! Na esperança de uma segunda apresentação, me mantive na fila - torcendo - e arrependidíssima pelos minutos a menos que teriam feito toda diferença. Enfim, nos chega a notícia: haverá segunda seção às 13h. Seção esta que também se esgota... em 15 minutos! São 500 ingressos em 30 minutos.

Lugar deslumbrante, músicos idem: Ithamara acompanhada por, segundo ela própria definiu, um dos maiores músicos do mundo, Juarez Moreira - que no domingo apresentou a uma plateia estarrecida sua já reconhecida perfeição técnica aliada a seu estilo único e refinadíssimo.



Eu, pessoalmente, estava ansiosíssima para assistir, pela primeira vez, a que para mim é uma das maiores cantoras que já ouvi. E acreditem, no momento em que a primeira música terminou, todas as minhas expectativas já haviam sido superadas.

A técnica vocal que Ithamara emprega é tão única e funciona tão perfeitamente que não foi à toa que ela já foi indicada três vezes a Melhor Cantora de Jazz pela renomada Downbeat. Mas assisti-la ao vivo é algo surreal. Ithamara Koorax, faz o que quer com a voz e sua extensão vocal parece medir quilômetros. Suas interpretações são trabalhadas com maestria. A cada canção apresentada, temos a impressão de ter acesso direto à alma da cantora - que não se contenta em apenas cantar, mas a se entregar à arte que representa. Uma artista única, com 20 anos de carreira, reconhecidíssimos mundo afora.



Quem assistiu ao show pôde conferir interpretações de Meditação, Bim Bom, Desafinado, entre outras.

Não bastasse a união desses dois talentos, o cd de Ithamara e Juarez Moreira encontra-se atualmente no top 100 dos cds mais vendidos dos EUA.

Foi isso, show inesquecível, duas seções esgotadas em tempo recorde, expectativas mais do que superadas!



O show segue para o resto do Brasil, Europa e EUA. Neste sábado, dia 8 de maio, houve show secreto de "Bim Bom" no Sofitel Rio. Assim que confirmada a agenda de shows no país, postamos por aqui.

Confira aqui os posts anteriores do JazzMan sobre a cantora.

Para quem ainda não conhece o trabalho de Juarez Moreira segue o MySpace do músico: http://www.myspace.com/juarezmoreira


No próximo post: Savassi Jazz Festival!


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Maíra Labanca: Nova Colaboradora do JazzMan!

5 de maio de 2010

"Sou do mundo, sou Minas Gerais."


Foi com imenso prazer que recebi ontem pela manhã o convite de me tornar colaboradora deste site que tanto admiro e que sigo há tanto tempo!

Façamos as apresentações: sou Maíra Labanca, tenho 21 anos, mineira, nascida em Belo Horizonte, atriz, cantora e uma apaixonada pelo jazz há muitos anos.


Descobri o jazz na adolescência e me lembro de ter tido a sensação da maior descoberta da minha vida. Era como se eu conhecesse todas aquelas músicas, como se inconscientemente tivessem sido a trilha da minha vida até ali. Era a trilha dos musicais que sempre amei, era a música que eu procurava há tanto tempo e nem sabia, e ela tinha nome, era o jazz.

Não preciso dizer que desde então, quando vejo essa palavrinha mágica, me atiro sem olhar e espero para ver até onde ela vai me levar. E de repente, eu que sempre fui da música popular, me vi entretida por horas nas seções eruditas das lojas de cd.

A partir de hoje, postarei aqui tudo sobre a cena jazzística mineira. E já começamos mais do que bem acompanhados, este domingo tem a estreia mundial do show do cd Bim Bom de Ithamara Koorax acompanhada por Juarez Moreira, um de nossos maiores guitarristas. Segue o link para quem quiser conferir a apresentação, que acontece esse domingo no Museu de Arte da Pampulha, às 11h da manhã. Entrada franca.

http://www.veredasproducoes.com.br/site/eventos/25


Na semana que vem digo como foi! E espero que gostem desta nova colaboradora.


No próximo post, apresento-lhes esta cantora que vos fala e seu trio. E por enquanto, deixo aqui um link do meu perfil no site da Conexão Vivo, aonde estou concorrendo ao Novos Talentos do Jazz no Savassi Jazz Festival deste ano. Lá vocês podem ouvir algumas faixas que em breve disponibilizarei aqui. E quem gostar, por favor, não se acanhe, vote no perfil!

http://labanca.conexaovivo.com.br/

http://www.myspace.com/labancamaira
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